A criação contemporânea e a tecnologia cruzam-se na ESMAE com o arranque de um novo ciclo intitulado de 'Sábados Eletroacústicos', esta iniciativa propõe uma imersão na vanguarda musical. A primeira sessão, que decorrerá na sala preta, às 15h00 do dia 18 de abril, junta Ema Ferreira e Filipe Fernandes para abordar a ilusão eletroacustica e o fascínio como método.
Os “Sábados Eletroacústicos” são um ciclo de encontros na ESMAE dedicado a diferentes abordagens composicionais e práticas de investigação artística no âmbito da música eletroacústica e eletrónica, da música acusmática à música mista e à eletrónica em tempo real, passando por diferentes formatos multimédia. Cada sessão inclui apresentações de dois compositores, que introduzem os seus processos criativos e contextos de trabalho, seguidas de um pequeno concerto onde são escutadas obras dos autores, em formato acusmático ou de performance ao vivo.

Ema Ferreira, A ilusão eletroacústica
Como podemos interligar a música electrónica com meios não digitais – auditivos e visuais?
Através da percepção? Ou de enganar a percepção? Ou de estender e expandir o que se percepciona? Mas, com que métodos?
Parto das ideias inerentes aos conceitos de materialidade e, sobretudo, de materialismo audiovisual para sustentar parte do processo de criação. Deformo-as e moldo-as para dar resposta a estas perguntas, que insistem em aparecer como inquietações.
Com este ponto de partida, iremos perceber como algumas obras musicais e instalações audiovisuais vivem na fronteira entre o que se percebe e o que se julga perceber.

Filipe Fernandes, O fascínio como método
Filipe Fernandes parte da sua prática artística para mostrar como aquilo que nos maravilha orienta escolhas técnicas, define ferramentas, revela o que se quer dizer antes de se saber como dizê-lo.
Para ele, o seu fascínio está no extraordinário da realidade e na sua estranheza latente.
Quando ouvimos de muito perto, quando mudamos a escala temporal com que observamos, quando tornamos audíveis sons e radiações que estão fora do nosso alcance fisiológico, a realidade revela o seu detalhe desconcertante sem deixar de ser reconhecível.
É neste lugar que se desenvolve o seu trabalho - numa zona de hiper-realismo sonoro que partilha com o realismo mágico a convicção de que o extraordinário não precisa de ser inventado, apenas descoberto - pela amplificação, pelo processamento tímbrico, pelo field recording, pela síntese granular e pelo uso de transdutores sonoros não convencionais.


