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Publicado em: 16 Março 2026

Par[agem] - THSC

25 de março, às 19h00, no Teatro Helena Sá e Costa.

É nesta premissa que se funda ‘Par[agem]’, um concerto que se caracteriza como acontecimento sonoro-visual, e que ocupa o Teatro Helena Sá e Costa no dia 24 de março, às 19h00. Com uma proposta de exploração experimental sobre os limites da perceção, instala-se na fenda entre o que é visível e o que resiste à captura imediata.

Num mundo saturado de imagens, onde tudo se reduz a exposição e consumo, este projeto procura o que resta no ruído e na falha. Durante uma hora, o palco do Teatro Helena Sá e Costa transforma-se num território de fricção com músicos que habitam a superfície, enquanto uma voz atravessa o espaço como se emergisse de uma camada anterior da experiência.


Equipa Criativa e Artística

Bruno Pereira, voz com grão
Fernando José Pereira, imagem e drone subsolar
Mário Azevedo, voz do subsolo
Telmo Marques, piano n-1
Rui Penha, eco e sombra sonora
Cláudia Marisa, corpo sombra
Jorge Vasconcelos, som com asas
Rui Damas, luz do subsolo

Sinopse

Subsolo do Sublime é um acontecimento sonoro-visual que se instala experimentalmente na fenda entre o que se vê e o que resiste a ser visto. Num mundo saturado de imagens, onde tudo se reduz a exposição e a consumo, o sublime já nem sequer explode no excesso. Mas insinua-se na falha, no ruído, naquilo que escapa à captura. Durante uma hora, a cena transforma-se num território de fricção, onde músicos habitam a superfície, enquanto uma voz, vinda do subsolo, atravessa o espaço como se emergisse de uma camada anterior da experiência. 

O subsolo aqui expresso não é apenas um lugar. É uma condição. É aquilo que vibra antes da forma e é aquilo que treme antes da figura. A voz que dele provém não narra. Apenas convoca. Não explica. Toca e roça. Tal como nos fragmentos de uma confidência nunca inteiramente revelada, cada emissão sonora, cada som, cada imagem, parecem que nos estão a dizer que “aqui há algo que não se deixa traduzir”. E é justamente no limite da representação, nesse ponto em que a linguagem hesita, o som insinua, a imagem quebra que, talvez, surja o sublime contemporâneo.

A música não está ali para ilustrar imagens, talvez esteja ali apenas para as pressionar. Talvez. O filme também não descreve sons, mas é atravessado por eles. As camadas visuais projetadas insinuam paisagens incompletas, corpos parciais, luzes que não estabilizam nada. Nada se oferece como totalidade. Cada gesto é um vestígio, um rumor. Cada acorde, uma tentativa. Cada silêncio, um abismo breve, muito breve, onde o recetor se confronta com a sua própria expectativa em querer ver o todo. Totalidade e infinito, pois então.

Em Subsolo do Sublime, o acontecimento não procura o clímax, mas a iminência. Isso basta-lhe. Aquilo que está em jogo é a experiência da quase-imagem, do quase-sentido, do quase-som e da quase-revelação. Tal como num discurso amoroso, onde o sujeito fala a partir da falta e não da posse, também aqui o sublime emerge do que não se deixa consumir de imediato. No entanto, ele persiste como resto, como eco, como sombra que insiste.

Ao fim de uma hora, nada se resolve. Algo, porém, terá acontecido e vibrado. Talvez esteja aí o reconhecimento de que, sob a superfície hipervisível do presente, ainda pulsa um território obscuro, um subsolo onde o sensível resiste e onde o sublime, silenciosamente, recomeça.

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