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Revisitar o palco do THSC

ESMAE

10 de junho, 21h30 - 1755 seguido de O TIO MÁRIO VAI AO CINEMA. Esta ópera foi apresentada no palco do THSC em maio de 2019


Transmissão na quarta-feira, 10 de junho, 21h30

Para assistir: www.esmae.ipp.pt/revisitar-palco-thsc

Espetáculo para maiores de 12 anos.

Duração: 60’ (aproximadamente)

 

MIL SETECENTOS E CINQUENTA E CINCO seguido de O TIO MÁRIO VAI AO CINEMA

"Por estes dias, não fora a pandemia que se abateu sobre a nossa liberdade e deveríamos estar a ensaiar a ÓPERA REAL, agora nas suas quatro partes, que conta a história daquelas duas famílias que o Jorge Louraço Figueira inventou, e que viajam através do tempo neste invólucro milagroso que é o espectáculo, mais ainda agora quando ele nos está interdito, no decorrer de uma viagem épica de que somos, os espectadores, testemunhas preferenciais, uma vez que viajamos em paralelo com elas.

A estas duas famílias, a dos que cantam e a dos que falam, haveriam de juntar-se umas quantas famílias mais, os que tocam um instrumento - coisa fora do corpo, apêndice ao corpo - e outros que falam a língua das tantas outras áreas: luz-som-cenografia-figurinos-direcção de actores-produção…

Por estes dias deveríamos ter já entrado na terceira semana de trabalho, o texto já deveria estar erguido do chão do papel, os corpos já estariam a começar a descobrir os caminhos da história, a percorrê-los com a dificuldade dos primeiros passos, um pé ante o outro pé, o desequilíbrio ajustado ao desejo, a caminho dos primeiros dias de julho quando, no Teatro do Campo Alegre, revelaríamos este mundo fantástico que teríamos inventado.

Nesse momento, daríamos conta ao mundo da existência de um conjunto de actores e cantores e designers e músicos de excelência, prontos para ajudar à mudança que se precisa operar no território das artes performativas portuguesas.

E, infelizmente, não estamos. 

Ainda assim, podemos, nesta ocasião, visitar a experiência que realizamos no ano passado, quando tínhamos estudado duas partes das quatro musicais, metade da maçã que mordiscámos, para lhe perceber o sabor e o sumo.

E que mostramos agora na frieza do palco virtual. 

A história começa em 1755, quando Lisboa e o seu teatro de ópera novinho em folha, a Ópera do Tejo, ainda a cheirar a tinta e novidade, é abalada pelo terrível terramoto e consequente tsunami que o destruiu e, com ele, milhares de vidas, directa ou indirectamente abalada por ele. Esta parte musicada por Telmo Marques.

Na segunda parte, composta por Carlos Azevedo, assistiremos a um outro momento trágico do edifício teatral quando, por todo o país, inúmeros teatros se transformaram em cine-teatros, apresentando os apelativos filmes educacionais, mais conhecidos como filmes pornográficos.

Entre estes dois episódios, há 222 anos de intervalo.

E agora?

Entre a apresentação da obra ainda em estudo no ano passado (1755 e Tio Mário Vai ao Cinema, títulos encontrados para referenciar as duas quartas partes da obra), e a apresentação na ópera na sua gloriosa globalidade, tal qual a sonhámos tantos e durante tanto tempo, quanto tempo passará?"

 António Durães

 

 

Música 1755: Telmo Marques; TIO MÁRIO VAI AO CINEMA: Carlos Azevedo

LibretoJorge Louraço

Encenação – António Durães

Direção Musical – Luís Carvalho

Direção Artística - António Salgado

Movimento – Cláudia Marisa

Design Luz – Rui Damas

Cenografia – Hélder Maia

Figurinos – Filipa Carolina

Assistentes de Figurinos – Inês Sanches e Rita Moniz

Direção de Cena - Sónia Barbosa

Sonoplastia – José Prata, Carlos Rebelo

Registo Vídeo e Som - Carlos Filipe Sousa, Elisabete Moreira e Renata Lima

Produção Executiva – Tiago Miranda Baptista

Direção Vocal – António Salgado e Rui Taveira

Produção – António Salgado e Jorge Alves - Ópera Estúdio da ESMAE e Pós-graduação em Ópera e Estudos Músico-Teatrais

Operação de Som - Carlos Rebelo

Operação de Maquinaria - Mariana Barros

Operação de Luz e Edição Vídeo - Sérgio Vilela

Design Gráfico - Gabinete de Comunicação da ESMAE

 

Colaboração - Departamento de Música e Departamento de Teatro da ESMAE


ELENCO

1755

Embuçado/D. José I – Carlos Meireles

Donato – Sérgio Ramos

Padre – Francisco Reis

Belmiro - Alberto Villas-Boas/Gustavo Queirós

Federica –Adriana Maeda/Crislaine Netto

Mariana Paupério – Gabriella Florenzano

Brida Paupério – Teresa Queirós/ Maria Mendes

Sabina Paupério – Beatriz Ramos

Frida Paupério – Rafaela Monteiro/Alexandra Almeida

Salvador – Fábio Soares

João Mudo - Gustavo Queirós/Clemente Hernandez


TIO MÁRIO VAI AO CINEMA

Vítor Mariano (Baixo) Realizador – Francisco Reis/Clemente Hernandez

Tânia Paupério, Gémea de Vânia, Modelo e Atriz – Cristina Repas/Rita Morais

Vânia Paupério, Gémea de Tânia, Modelo e Atriz – Íria Árias

Zézinha Paupério, Modelo e Atriz, muito parecida com Joana – Inês Margaça

Milu Ricci (Soprano) Cantora da Rádio – Raquel Mendes/Luiza Lima/Raquel Monteiro

Pêpê Ricardo (Tenor) Playboy e ator – Alberto Villas-Boas/Gustavo Queirós

Ana Ricardo (Soprano 1) Gémea de Maria, Farmacêutica, mãe de Joana – Crislaine Netto

Maria Ricci (Soprano 2) Gémea de Ana, Professora, mãe de Sara e Mariana – Márcia Azevedo

Sara Ricci (Soprano) Gémea de Mariana, Estudante – Maria Mendes/ Teresa Queirós

Mariana Ricci (Soprano) Gémea de Sara, Estudante – Alexandra Almeida/ Teresa Casaca

Joana Ricardo (Soprano) Estudante, parecida com Zezinha – Federica Miranda/Beatriz Ramos

Tio Mário Magno (Baixo-Barítono) Produtor – Sérgio Ramos

Tio Chico (Barítono) – Abade Franciscano – Fábio Soares

Religiosa 1 e Freira 1 (Soprano) – Rafaela Monteiro

Religiosa e Freira 2 (Mezzo-soprano) – Gabriella Florenzano/Jacinta Albergaria


Ensemble Contemporâneo da ESMAE

Violino I - Alexandra Camboa

Violino II - Afonso Almeida

Viola - Leonel Andrade

Violoncelo – João Geraldo da Silva

Contrabaixo - Sara Ribeiro/Raquel Narciso

Flauta - Bruno Silva

Oboé - Filipa Vinhas

Clarinete - Iara Alves

Fagote - Beatriz Cunha

Trompa - José Pedro Bola

Trompete - João Oliveira

Trombone – José Luís Rosas/Ana Filipa Santos

Percussão - Manu Beobide/Daniel Araújo

Piano - Carlos Lopes


SINOPSES

1755

Um teatro em ruínas

1755. O terramoto arrasa a Ópera do Tejo. Um dos cantores líricos procura desesperado o seu melhor casaco. Os músicos e cantores chegam para ver tudo arrasado e deparam com um bando de saltimbancos a roubar a roupa que sobra dos guarda-roupas, em especial sapatos, para vender, e as telas dos cenários, para armar as suas tendas. São liderados por uma matriarca, Mariana da Enxovia, visivelmente grávida. O rei, que vinha incógnito para um rendez-vous com a cantora lírica Federica Ricci, fica para avaliar os estragos e promete erguer um novo teatro no mesmo lugar. Entretanto, com o esforço, rebentam as águas de Mariana da Enxovia. Federica, a prima donna, socorre a grávida. São dois gémeos saudáveis. Mas Mariana morre depois do parto. Federica Ricci fica com uma das crianças, e um dos saltimbancos, Donato Paupério, com o outro.

 

TIO MÁRIO VAI AO CINEMA

Um cinema decadente

1975. A revolução trouxe a democracia a Portugal, incluindo ao norte do país, conservador e católico. No cinema São João, toda a família Ricci se junta para assistir à estreia do filme erótico realizado por João Ricci. Lá fora, um grupo de freiras apela ao boicote. A família escandaliza-se ao ver que os mais novos entram no filme como atores e atrizes, e querem impedir a estreia. Logo descobrem que aqueles rapazes e raparigas coincidentemente muito parecidos com eles, não são da família Ricci, mas antes da família Paupério. É então que concluem que todos são primos uns dos outros. A estreia é abençoada pela presença de um tio, frade franciscano, pregador da teologia da libertação e da lei do amor acima de todas as coisas.

 

 

Autor

antoniogorgal@esmae.ipp.pt

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