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Revisitar o palco do THSC

ESMAE

Orquestra Clássica Esmae, direção de Jan Wierzba. Transmissão em 13 de maio. Concerto apresentado no THSC em 6 de abril de 2019 - Festival ESMAE


ORQUESTRA CLÁSSICA ESMAE

Direção: Jan Wierzba

Concerto integrado na edição de 2019 do FESTIVAL ESMAE

Transmissão na quarta-feira, 13 de maio, 21h30 - aqui...

 

Obras

Felix Mendelssohn Bartholdy (1809-1847): Abertura “Ruy Blas”, op. 95

Ludwig van Beethoven (1770-1827): 6ª Sinfonia “Pastorale”, op. 68

 

"A Abertura Ruy Blas Op. 95 em Dó Menor de Felix Mendelssohn, composta de forma magistral num tempo recorde de três dias, é um exemplo do génio criativo e também do gosto do compositor por desafios, este lançado pelo Fundo de Pensões Teatrais de Leipzig para compor música incidentasl para uma encenação da obra homónima de Victor Hugo. Tratando-se de um evento de beneficiência, os responsáveis do Fundo acreditavam que a receita iria ser mais significativa com o nome de Mendelssohn associado. Tendo lido a peça e considerado que se tratava de uma obra menor, decidiu cingir-se à escrita de alguns números vocais. Uma semana antes da estreia, terá tido a visita dos responsáveis do Fundo, agradecendo a entrega dos materiais embora lamentando a falta de uma abertura. Ter-se-ão despedido afirmando que numa próxima oportunidade darão mais tempo ao compositor para conseguir compor uma obra dessa envergadura. Numa troca de correspondência com a sua mãe, Mendelssohn confessou que se sentiu motivado pela visita a compor algo em tempo recorde. Em três dias produziu a abertura que se ouviu neste concerto. Não sendo necessariamente ilustrativa da narrativa, podemos sentir nos acordes iniciais a escuridão e ominosidade da corte de Filipe II (esses acordes repetidos mais duas vezes, cada uma com mais intensidade) sendo o resto da abertura um belíssimo exemplo do talento e orquestração fresca e inventiva de Felix Mendelssohn.
 
Sinfonia Nº 6 Op. 68 em Fá Maior, também conhecida como a Sinfonia Pastoral, é, sem dúvida, uma das obras mais originais de Beethoven, quer em termos técnicos composicionais, no que diz respeito a estrutura, meios harmónicos empregues, orquestração, quer em termos do próprio opus do compositor. Composta e estreada na mesma altura que a famosa Quinta Sinfonia, apresenta um carácter completamente distinto pela delicadeza na escrita e momentos da poesia musical mais sublime que alguma vez Beethoven produziu. Amante confesso da natureza e de passar tempo rodeado por ela, presta-lhe a sua homenagem, numa obra que não nos conta necessariamente uma história ou nos pinta um quadro, mas procura despertar sensações correspondentes aos programas descritos em cada andamento:
I - Despertar de sentimentos alegres ao chegar ao campo
II - Cena à beira de um ribeiro 
III - Alegre reunião de camponeses
IV - Temporal, tempestade
V - Canto pastoral: sentimentos de alegria e gratidão após a tempestade. 
Cheia de alusões ao correr da água, sentimentos de paz, intemporalidade, canto de pássaros, terror e bonança, é uma das obras claramente precursoras de música programática, ou mesmo o seu primeiro exemplo não assumido.
 
 
Permito-me referir brevemente o que este programa representou, pessoalmente.
 
Enquanto licenciado em piano, ex-presidente da AEESMAE, e alguém que nunca cortou o cordão umbilical com a instituição nem com as pessoas que a habitam e continuam a fazer com que seja um sítio especial, foi um momento particularmente marcante da minha vida poder voltar na qualidade de professor e liderar um concerto da sua orquestra. Quando me fui embora do Porto para prosseguir os meus estudos em direcção de orquestra um ano depois de ter terminado a licenciatura, em 2010, lembro-me vivamente de pensar quanto queria dar a volta ao mundo e, um dia, voltar, mais crescido, diferente, quiçá com algo a acrescentar. Na verdade pensei que seria pouco exequível. Mas essa volta, ela deu-se, efectivamente. Não me podia sentir mais feliz pela oportunidade, pelo desenrolar do trabalho e pelo talento e profissionalismo dos alunos tendo resultado num concerto de alto nível. Lembro-me vivamente de que no dia 6 de Abril de 2019, partilhando o palco do Teatro Helena Sá e Costa com jovens que ainda uma década antes chamaria de colegas, concretizei um dos meus sonhos mais sentidos."
Jan Wierzba

 

 

Para assistir: www.esmae.ipp.pt/revisitar-palco-thsc

 

Orquestra Clássica ESMAE

Violinos I: Tiago Rodrigues (concertino), Vítor Damião, José Pedro Rocha, Laura Peres, Teresa Tenrinho, Luana Cunha, Vasco Gomes

Violinos II: António Malta Gomes, Yuri Gomes, Daniel Silva, Joana Costa, Alice Abreu, Joana Marques

Violas: Rita Carreiras, Leonel Andrade, Rita Barreto, Ruth Baptista, Nelson Cruzeiro

Violoncelos: José Miguel Teixeira, Bernardo Nabais, Ana Cristina Abreu, Isabel Vieira, Cecília Reis

Contrabaixos: Gonçalo Cardoso, Guilherme Torres, Salomé Costa

Flautas: Inês Alves, Carolina Brito, Carolina Lima, Margarida Costa, Victória Mailho (picc),

Oboés: Bárbara Ferreira, Luís Carneiro

Clarinetes: Ana Lúcia Silva, Mariana Vieira, Alexandre Abreu, Rui Soares

Fagotes: Luísa Martins, Mariana Souto

Trompas: Luís Oliveira, Cristiana Azóia, Sabrina Aguiar, Carlota Pereira

Trompetes: Tiago Santos, Joana Barbosa

Trombones: João Bastos, Ricardo Neves, Emanuel Ferreira

Percussão: José Gabriel Teixeira



Autor

antoniogorgal@esmae.ipp.pt

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