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Revisitar o palco do THSC

ESMAE

Andrómaca, Depois de Guerra - 1 de abril, às 21h30


Transmissão da peça de Jean Racine “ANDRÓMACA, Depois da Guerra”

Encenação de Carlos Pimenta
Produção e interpretação dos alunos finalistas da Licenciatura em Teatro - 2014
Esta peça subiu ao palco do Teatro Helena Sã e Costa em dezembro de 2014


Para assistir: https://videocast.fccn.pt/li…/idp01_net_ipp/esmaepporto-thsc

 

Quem é esta mulher sempre fiel ao seu marido – derrotado e morto – e que tudo faz para proteger o filho que garante a possibilidade de uma família? Perdido o filho o que lhe resta? O que poderá ser Andrómaca sozinha?
Estamos no rescaldo da Guerra de Tróia, mas também na corte de Louis XIV e quase em 2015. Vemos os troféus de um vencedor, intrigas palacianas, amores e desamores, mas também a cinza e o pó que fica dos bombardeamentos no Iraque, na Síria, no Afeganistão. E, de repente, damo-nos conta de que nem já a guerra precisa de Homens.
No solo os corpos desaparecem e transformam-se em números. Longe vão os tempos dos exércitos com rosto e dos feitos corajosos. A matematização do mundo transforma os Homens em estatística.
No entanto Andrómaca, Hermíone, Orestes, Pílades e Pirro, ainda são humanos (suprema ironia!). Como o sabemos? Pelos erros que cometem! Entre a razão e o coração vemos o encanto dos seus deslizes. O seu mundo não é perfeito. Mas é um mundo que pulsa e no qual sentimos o fervilhar do sangue. Benditas estas guerras, diríamos! Tão diferentes das de hoje. Porque não consta que os drones tenham coração.

Carlos Pimenta - 2014


“ANDRÓMACA, Depois da Guerra”

Andrómaca é uma peça sobre a guerra. Uma guerra entre humanos. Humanos condenados pela fatalidade que enforma a tragédia clássica.

Quando, em 2014, realizámos este trabalho inspirámos-nos nas guerras da altura (Iraque, Afeganistão, etc) e notámos que os humanos eram substituídos por tecnologia avançada (drones, robots) e só dávamos conta da sua existência quando referenciados nas listas de "baixas" ou quando os víamos pulverizados nas imagens dos telejornais e apelidados de "danos colaterais”.

Rever esta peça - e este espetáculo - seis anos depois, é ganhar de novo consciência do humano.

Não imaginavam estes jovens actores que aquela guerra, que era a sua ficção teatral, teria que ser por eles disputada num verdadeiro campo de batalha. A guerra que hoje travamos recorda-nos a nossa fragilidade. Mas, como já vão longe as regras da tragédia grega, não teremos, forçosamente, que nos submeter à nossa fatalidade. A luta, agora, remete-nos novamente para a consciência do corpo. Mas contamos, também, com as máquinas, não para nos destruir mas para nos ajudar.

Carlos Pimenta - 2020


 

Autor

antoniogorgal@esmae.ipp.pt

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