A criação contemporânea e a tecnologia cruzam-se na Faculdade de Artes Performativas com o arranque de um novo ciclo dos 'Sábados Eletroacústicos', uma iniciativa propõe uma imersão na vanguarda musical.
Os “Sábados Eletroacústicos” são um ciclo de encontros na Faculdade de Artes Performativas dedicado a diferentes abordagens composicionais e práticas de investigação artística no âmbito da música eletroacústica e eletrónica, da música acusmática à música mista e à eletrónica em tempo real, passando por diferentes formatos multimédia. Cada sessão inclui apresentações de dois compositores, que introduzem os seus processos criativos e contextos de trabalho, seguidas de um pequeno concerto onde são escutadas obras dos autores, em formato acusmático ou de performance ao vivo.
A primeira sessão dos Sábados Eletroacústicos deste ano realiza-se no dia 17 de outubro, às 17h00, na Sala Preta da ESMAE, com uma sessão intitulada ‘Manipulando o tempo em música’, conduzida pelo compositor Carlos Guedes e com a participação do percussionista João Tiago Dias, que interpretará ao vivo a peça Fragile Ecosystems (2020).
Título: 'Manipulando o tempo em música'
Carlos Guedes com João Tiago Dias
Sábado, 17 de outubro, às 17h00, na sala Preta
Compôr passa essencialmente por articular sons no tempo. Por outro lado, a filósofa Susanne Langer dizia que "a música é tempo tornado audível” e Marvin Minsky, o pai da inteligência artificial, afirmava que quando as crianças brincam com música estão a aprender sobre o tempo. O meu trabalho recente tem-se debruçado sobre o desenvolvimento de técnicas para manipular o tempo em música e a sua articulação através do ritmo. Este trabalho, mais ou menos sistemático, começou com Fragile Ecosystems (2020), uma peça encomendada por, e dedicada a João Dias.
Nesta sessão vou falar como esta peça faz uso dos chamados “ritmos de Risset” assim como outros mecanismos para explorar instabilidade métrica. A sessão contará com a presença do João Dias que fará uma execução da peça ao vivo.

Biografia - Carlos Guedes
Carlos Guedes (Porto, 1968) tem uma atividade compositiva multifacetada contando com inúmeras encomendas para dança, teatro, cinema, além de música convencional de concerto. Com mais de 100 estreias em público, o seu trabalho tem sido ouvido em inúmeros festivais e salas de concerto um pouco por todo o mundo, incluindo na Estação Espacial Internacional (ISS).
O seu trabalho é colaborativo por natureza, quer com outras formas artísticas quer com outros músicos. Algumas colaborações recentes incluem “Formation of Soof,” uma instalação audiovisual imersiva para o pavilhão de Abu Dhabi na London Design Biennale distinguida com a medalha do tema da bienal, e apresentada posteriormente no COP 28 (Dubai, 2023). O seu EP “Far Out” (banda sonora de “Uma Coisa Longínqua,” Teatro de Ferro, 2020) foi transmitida da Estação Espacial Internacional (Novembro, 2024). Mais recentemente, Carlos Guedes recebeu a primeira encomenda do Abu Dhabi UNESCO Creative City of Music onde apresentou “Transcultural Sonic Interactions” com músicos de Gnawa (Marrocos), Lewah (Emirados Árabes Unidos) e Jazz (Alemanha), no Culture Summit 2025 de Abu Dhabi. Em Junho de 2025 compôs a música para a coreografia mais recente de Né Barros, “Esta Hora de Espanto,” e a peça mais recente do Teatro de Ferro, “Vidro Pantera,” foi estreada em Janeiro deste ano com a sua música.
O seu mais recente disco Time Poetries foi lançado em março deste ano pela prestigiada editora NEOS Music GmbH, contendo o ciclo de peças para quarteto de percussão e eletrónica sobre suporte composto para o Drumming GP com o mesmo nome, e a peça Fragile Ecosystems, para bombo e eletrónica sobre suporte, encomendada por e dedicada a João Tiago Dias. Carlos Guedes é professor catedrático em música e tecnologia musical na New York University (NYU) Abu Dhabi, professor afiliado no curso de engenharia de computadores desta universidade e Global Network Professor na Steinhardt School of Culture, Education, and Human Development da NYU.

Biografia - João Tiago Dias
Percussionista, licenciado e mestre pela ESMAE (Porto), na classe de Miquel Bernat e Manuel Campos. Iniciou em 2016 o Doutoramento em Artes Musicais na variante de Prática Instrumental, na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Atualmente é bolseiro de Doutoramento da Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT). É membro do Drumming Grupo de Percussão desde 2004, tendo participado em concertos no continente europeu e africano, e com o qual já gravou 4 discos. Estreou dezenas de obras de compositores de várias nacionalidades, dos quais se destaca a estreia do Concerto nº. 2 para 3 percussionistas e orquestra, de Marlos Nobre, com Orquestra Gulbenkian. Integrou a European Union Youth Orquestra (2006-2009) onde trabalhou com Vladimir Ashkenazy, Rainer Seeguers (timpaneiro da Berliner Philharmoniker) e Simon Carrington (timpaneiro da London Philharmonic Orchestra). Como solista, desenvolveu a pedido do diretor artístico do Festival Música Viva, Miguel Azguime, o projeto a solo “Caixa Elétrica” em 2016, com estreia mundial de 3 obras de compositores portugueses. É investigador do Grupo de Investigação em Música Contemporânea do CESEM, onde dedica particular interesse na mediação entre compositor e intérprete na criação de nova música para percussão. É também membro da Orquestra de Gamelão da Casa da Música, Pulsat Grupo de Percussão, Clarinetes Ad’Libitum e percussionista convidado do Sond’Ar-te Electric Ensemble. Colabora regularmente com Remix Ensemble, Orquestra Sinfônica da Casa da Música, Orquestra Gulbenkian entre outros.


