Há músicas que não terminam quando o último som se extingue. Permanecem em nós, transformam-se com o tempo e encontram novas formas de existir em cada pessoa que as escuta. No dia 14 de novembro, às 21h30, a Igreja da Lapa, no Porto, será o cenário de um encontro com a música que Rodrigo Pinto deixou. O recital, integrado no Festival Internacional de Órgão e Música Sacra (FIOMS), propõe uma viagem pela sua obra e pela sensibilidade que a atravessa, revelando uma procura de transcendência serena, capaz de nos levar para além do quotidiano e de abrir espaço a uma escuta mais profunda do mundo.
O título ‘Ressoa em Mim’ dá nome a um momento coletivo de escuta, memória e continuidade. Através da interpretação das composições de Rodrigo Pinto, este recital procura manter viva a relação com a sua música, permitindo que cada nota encontre novos sentidos e que a sua obra continue a tocar quem a escuta.
O recital será também uma oportunidade para músicos integrarem a orquestra que interpretará as suas composições. As inscrições estão abertas a músicos que queiram fazer parte deste projeto e contribuir, através da interpretação das suas obras, para que a sua música continue a ser escutada e partilhada.
"Há uma felicidade discreta em acompanhar a evolução de um compositor que nos é próximo. De obra em obra, vamos percebendo, dobra sobre dobra, o afinar da sua sensibilidade: aquilo que o chama, aquilo em que se demora, aquilo que lhe pede forma. Aprendemos a reconhecer uma maneira de escutar o mundo. E, nessa companhia, também alguma coisa em nós se afina.
A partida inesperada do Rodrigo Pinto interrompeu esse caminho quando tanto estava ainda por vir. Da música de câmara à orquestral, este concerto propõe uma perspetiva sobre a obra que nos deixou e sobre a procura que a atravessa: a de uma transcendência serena, de algo que nos conduza para além da espuma dos dias até onde a atenção possa ganhar outra fundura e o tempo deixe de nos fugir entre as mãos.
«Ressoa em mim», uma expressão que fazia parte da sua forma quotidiana de habitar o mundo, dá agora nome a este encontro com a sua música, com o que nela continua a procurar-nos. Escutá-la é dar tempo a essa presença. E talvez, no silêncio que subsistir depois do último som ecoar das paredes, possamos também fazer nossas essas suas palavras".
Texto de Rui Penha


