“Só Mais Uma Gaivota”, criação de Inês Barahona e Miguel Fragata, criação da companhia 'Formiga Atómica', foi distinguida pela companhia este sábado com o Globo de Ouro de Melhor Peça/Espetáculo. A criação da Formiga Atómica tem uma ligação particular à ESMAE: Miguel Fragata, coautor, encenador e intérprete do espetáculo, foi aluno da Licenciatura em Teatro e integrou a turma de finalistas de 2005, que apresentou “A Gaivota”, de Anton Tchékhov, como espetáculo final de curso.
Em 2005, no Teatro Helena Sá e Costa, uma turma de finalistas da Licenciatura em Teatro da ESMAE apresentou A Gaivota, de Anton Tchékhov, com encenação de João Pedro Vaz. Entre os intérpretes estava Miguel Fragata, então a terminar a sua formação e a preparar-se, com os restantes colegas, para entrar no mundo profissional.
Vinte anos depois, essa experiência tornou-se o ponto de partida para 'Só Mais Uma Gaivota'. O espetáculo, estreado em 2025, parte do reencontro de Miguel Fragata com os colegas daquela produção para revisitar as expectativas, os percursos e as escolhas que marcaram duas décadas de vida e de trabalho artístico. A partir de um território entre a ficção e a realidade, a criação recupera personagens e situações de 'A Gaivota' para imaginar o que aconteceu depois de terminado o IV ato da obra de Tchékhov.
A relação com aquele momento vivido na ESMAE está, assim, no centro do espetáculo. Em declarações à Agência Lusa, por ocasião da estreia do espetáculo, Miguel Fragata recordou o impacto que 'A Gaivota' teve naquele momento de transição entre o final do curso e o início da vida profissional, descrevendo a experiência como “muito transformadora”. O ator e criador explicou que ficou, então, com “a sensação de que, afinal, havia uma possibilidade de o teatro dialogar diretamente com a vida”, em particular com a vida daqueles jovens que terminavam a sua formação.
No discurso de agradecimento pelo Globo de Ouro, Miguel Fragata voltou a esse momento de há duas décadas, dedicando a distinção aos colegas da turma de 2005 da ESMAE e a toda a equipa envolvida no espetáculo. “Este espetáculo só existe, porque há 20 anos, eu e os meus colegas de Teatro, finalistas, fomos apresentados a um autor e a uma peça”, afirmou, referindo-se a Tchékhov e a ‘A Gaivota’. O encenador destacou ainda a importância do trabalho coletivo na criação teatral.
No discurso de agradecimento pelo Globo de Ouro, Miguel Fragata voltou precisamente a esse momento vivido na ESMAE e fez questão de partilhar a distinção com os colegas daquela turma: “Este espetáculo só existe, porque há 20 anos, eu e os meus colegas de Teatro, finalistas, fomos apresentados a um autor e a uma peça, pela mão de João Pedro Vaz. O autor era Tchékhov e a peça era ‘A Gaivota’, que nos marcou a todos profundamente”.
O criador recordou ainda que, naquele momento em que terminavam o curso e se projetavam no futuro, “imaginávamos que vingaríamos todos no mundo do Teatro”. Vinte anos depois, o reencontro com esses colegas permitiu transformar essa memória numa criação sobre os caminhos que cada um percorreu desde então.
“Este globo é deles todos, é da turma de 2005 da ESMAE”, afirmou Miguel Fragata no mesmo discurso, estendendo ainda o reconhecimento a toda a equipa responsável pelo espetáculo e sublinhando a dimensão coletiva do trabalho teatral: “O Teatro só se faz em equipa”.
Com texto de Inês Barahona e Miguel Fragata, 'Só Mais Uma Gaivota' é uma criação da Formiga Atómica que cruza excertos da obra de Tchékhov com as histórias dos artistas que, vinte anos antes, lhe deram corpo. O espetáculo recupera, assim, uma experiência vivida no final de um percurso académico na ESMAE e transforma-a numa reflexão sobre o tempo, as expectativas e os caminhos que se constroem depois de terminado o curso.
A distinção agora atribuída nos Globos de Ouro acrescenta um novo capítulo a esta história, que começou no palco do Teatro Helena Sá e Costa, em 2005, quando Miguel Fragata e os seus colegas se preparavam para dar os primeiros passos no teatro profissional.
Discurso completo em: sicnoticias.pt
Fotografia de Sic Notícias
Sobre o espetáculo
Só Mais Uma Gaivota
“O Konstantin Gavrilovitch matou-se com um tiro.”
Assim terminou A Gaivota, de Anton Tchékhov. Depois, desceu o pano e o público presente na sala aplaudiu, entusiasmado, o desempenho daqueles jovens atores e atrizes, cenógrafos e figurinistas, técnicos e produtores. Estavam a terminar o curso de teatro.
Tal como Konstantin Gavrilovitch, abraçavam expectativas e angústias em relação ao seu futuro enquanto artistas. Alcançariam a visibilidade que os colocaria no centro do palco, no encalce de novas formas ou, pelo contrário, estariam à beira do suicídio do seu projeto profissional?
Vinte anos depois, Miguel Fragata – um desses jovens atores – parte em busca do destino dos seus colegas e recupera fiapos das personagens, procurando imaginar a continuação do IV ato do texto de Tchékhov. A partir do terreno híbrido da ficção e da realidade, surge o espetáculo Só Mais Uma Gaivota, onde se entrelaçam as histórias dos artistas feitos personagens, depois de descido o pano e escrita a palavra “fim”.


